A História do Vazio

•Julho 23, 2008 • 1 Comentário

Era uma vez uma bela jovem, não tão jovem a ponto de acreditar em promessas, mas não tão experiente a ponto de perder totalmente a fé. Não tão bela a ponto de pôr qualquer homem a seus pés, mas bela o suficiente para tirar o fôlego e as palavras de muitos deles. Seu nome e seu rosto? O tempo tratou de apagá-los. Assim como os de várias outras belas jovens, que passaram por essa terra.

Essa bela jovem, cujo nome se esqueceu, era só nesse mundo. Ela não tinha pai nem mãe, nem irmãos, nem ninguém que lhe fosse familiar. Diz-se que ela mesma esqueceu do próprio nome, por não ter quem a chamasse.

Um certo dia, um belo dia de sol, um rapaz lhe chamou a atenção. Andava só e batia nas árvores e nos arbustos violentamente, como se desejasse ferí-los. Ela não pensou duas vezes, traçou uma linha reta até ele e o deteve. Ela nunca teve ninguém no mundo além daquelas árvores e arbustos, nunca teve nada além daquela terra, que não a pertencia, mas a acolheu.

O rapaz então se desculpou. E explicou que havia brigado com o pai, e esse o havia expulsado de casa. Enquanto o rapaz contava sua história, ela ouvia e, mesmo sem prestar atenção, ela começou a se lembrar de uma manhã bonita de sol, exatamente como aquela.

Ela se lembrava de estar magoada, de estar com raiva, tanta raiva que nada parecia ter sentido, tanta raiva que não conseguia ver nem por onde passava. E com essa raiva ela começou a correr.

Ela correu sem parar e cada vez mais rápido. Correria, pensou, até a raiva passar. Então ela correu, correu até não poder mais. Correu até acabar o fôlego . Correu até que a pernas cederam. Correu até não sobrar mais nada. Então parou.

Ela parou, e quando olhou em volta, não havia mais nada. O silêncio perfurava seus ouvidos, a escuridão fazia arder seus olhos, o frio congelava seu coração e o medo lhe invadia a alma, junto com ele um único pensamento: Havia corrido longe demais.

Havia corrido longe demais, e de repente tudo que lhe era valioso e todos os que ela amava haviam ficado para trás. Não sabia voltar. Não podia seguir sabendo que tudo o que lhe importava na vida, havia ficado. Então sentou e esperou.

Esperou que alguém viesse, esperou que lhe alcançassem. Esperou, esperou, esperou mais… E quando sentiu que não podia mais suportar, esperou mais um pouco. Até que de repente não pôde esperar mais. Se levantou, olhou pelo caminho que antes havia tomado, era inútil, não sabia voltar.

Não sabia voltar…Então fez a única coisa que podia: Seguiu em frente. Mais uma vez se pôs a correr, agora movida unicamente pelo desespero causado pela escuridão e pelo silêncio. Ela correu, correu, correu, correu sem parar, e cada vez mais rápido. Até que uma luz a cegou, e um calor a invadiu. Então ela parou.

Ela parou. Esperou os olhos se acostumarem à luz. Respirou o perfume das ávores, e, sem nem perceber, sorriu como se estivesse respirando pela primeira vez. Quando conseguiu voltar a ver com clareza, soube que nunca poderia voltar. Não sabia voltar. Nem ao menos lembrava por que havia partido. Nem ao menos lembrava o próprio nome, ou o de mais ninguém. Via o próprio reflexo nas águas, e não se reconhecia. A única coisa da qual se recordava era a eternidade que havia se passado enquanto ela esperava sentada, que alguém a encontrasse.

Ao contar ao rapaz sua história, riu ao ver o quanto ele havia ficado impressionado. E quando ele lhe perguntou como ela podia ser feliz sem saber quem era, ela sorriu, e disse apenas:

- A pessoa que eu era me levou até aquele vazio. A pessoa que sou hoje, me tirou de lá, e me trouxe até aqui. Não posso voltar a ser aquela pessoa, por pura curiosidade. Porque se o fizesse, teria de começar tudo de novo. E com certeza eu o faria.
O rapaz concordou, deu meia volta e voltou para casa.

Ela nunca mais o viu depois daquele dia, e encarou isso como o melhor de todos os sinais.

Camila de A. Sortica

O Sapo e o Escorpião

•Julho 6, 2008 • Deixe um comentário

Um dia um sapo ia passando quando, de repente, é abordado por um escorpião. Este pede ao sapo que o carregue até o outro lado do rio. O sapo, desconfiado, nega o pedido dizendo que não havia garantias de que o escorpião não iria picá-lo após chegar ao outro lado.
O escorpião insiste, pede ao sapo que confie nele e, por fim, consegue convencê-lo. O escorpião então sobe nas costas do sapo, e este passa a atravessar o rio.
Então, de repente, ainda no meio do caminho, o escorpião pica o sapo. E este olha para trás e em seu último suspiro pergunta:
- Por que fez isso? Agora nós dois vamos morrer.
Ao que o escorpião responde:
- Não pude evitar. Afinal, eu sou um escorpião.

Foi com essa história em mente que essa personagem recebeu o nome com o qual ficou mais conhecida: Scorpion.
Mas apesar dele, ao passar do tempo ela passa a ser conhecida apenas como Jo.

Joanne Rivers é, sem a mínima dúvida, a personagem mais complicada, interessante, misteriosa, e (cá entre nós) irritante da história. Ela começa a história como um vulto, uma sombra, um alguém que aparece do nada, quando bem entende, e sempre está um passo a frente de todos.

A história do escorpião e do sapo passa uma mensagem bem simples: Animais raramente vão contra seus instintos. E, como uma sábia pessoa diz na história… É contra o instinto do ser humano ter poder e não se deixar corromper por ele.
Jo é a prova viva de que toda a regra tem a sua exceção. Extremamente forte, determinada, e inteligente. Jo já começa a história vários passos à frente dos outros, não apenas em informação, mas também em nível de consciência,  ela já entende melhor o que está acontecendo, e já aceita o fato de que não pode mudar isso. Ela já começa sabendo o que várias outras pessoas ainda vão demorar para descobrir durante a história, tudo no mundo tem o seu motivo.
Para que se compreenda melhor como exatamente a história do escorpião se encaixa aqui, vou explicar um pouco a natureza das habilidades dela.
Jo pode aprender qualquer habilidade, de qualquer um, a qualquer momento, com raras exceções. Isso não é uma coisa que ela pode controlar, ela vê alguém fazendo alguma coisa, ou usando algum poder e ela simplesmente sabe como copiar. E por um lado isso pode ser muito bom, mas por outro pode ser um fardo enorme.
Então durante praticamente a vida inteira dela ela acumula essas informções, essas habilidades, alguma bem simples como tocar piano, outra mais incomuns como atirar bolas de fogo pelas mãos, ou ler pensamentos. Eventualmente isso chega a um ponto em que ela pode fazer qualquer coisa.

Agora quanto tempo levaria para um ser humano comum ser corrompido por um poder como esse? Então a grande questão por trás da história dela é: Será que alguém realmente pode ir contra os seus instintos?

Camila de A. Sortica

Aquela mesma história…

•Julho 2, 2008 • Deixe um comentário

Eu voltei, depois da minha ausência habitual, para continuar falando dos personagens. Hoje vou falar de um personagem que seria, em qualquer outra história, o herói. Mas na minha história não existem heróis, só seres humanos.

Eric Wyatt é um dos filhos do governante de Cold River. Ele é tudo aquilo que se espera de um príncipe encantado, só que isso não é nem de longe o suficiente para sobreviver no mundo real. Eric é, de todos os personagens, um dos que mais precisa evoluir, mentalmente e espiritualmente, durante a história.
A história dele é aquela velha história: Ele é rico, o pai é influente, ele pode ter quem ou o que ele quiser, mas ele se sente sozinho, se sente vazio, e não sabe ao certo dizer o que está faltando. Mas ao contrário da maioria ele, a princípio, se conforma com isso. Ele aceita o fato de ter que assumir o lugar do pai e de talvez não chegar a fazer seja lá o que for que ele deveria fazer da vida dele. Ele se conforma com o fato de um dia estar em posição de mudar alguma coisa, mesmo que não seja muito.
As coisas começam a mudar quando o pai dele morre, o tio dele assume o lugar que por direito é dele, e ele percebe que não vai conseguir chegar aonde ele precisa chegar se não tomar algumas atitudes mais radicais.

Eric é, na história, a própria figura do cavaleiro. Ele é íntegro, leal, corajoso. Nunca foge de uma luta, mas também não se atira a uma luta sem um bom motivo. Com o tempo ele vai começar a entender que para poder retomar o que é dele, ele vai ter que fazer coisas que, normalmente ele não faria.

Quase todo os personagens tem um destino traçado, mas ao que parece o destino do Eric é a jornada longa que ele vai precisa enfrentar para poder voltar ao ponto de partida. Só que quando ele chegar lá, vai ser uma pessoa bem diferente de quando começou.

O mundo dá voltas…

Só é Cego Quem Não Quer Ver

•Junho 11, 2008 • Deixe um comentário

Continuando com a descrição de alguns personagens… Outra das minhas favoritas: Crys.

Crystal Rivers, nascida no coração da floresta, filha mais velha dos líderes da Alcatéia (bando ao qual a Allie se junta), e conseqüentemente, futura líder do bando.

Crys começa a história com 17 anos, um irmão de 12, e uma irmãzinha de apenas 3 anos de idade. É ela quem encontra a Allison e a traz para o bando. Ela também fica responsável pelo treinamento dela, além de dividir o quarto com ela e a irmã.

Crys perde a visão aos 12 anos, durante um ataque, mas apesar de não fazer uso dos olhos ela é muito capaz de ver as pessoas, talvez até as veja melhor do que os outros. Ela não é uma pessoa que passa uma impressão agradável, sorri pouco, só fala quando tem vontade e sobre assuntos que lhe dão na telha. O humor dela varia muito dependendo da ocasião, às vezes não fala por dias, às vezes desanda a falar sem motivo, ocasião em que o melhor a fazer é acenar e sorrir. Apesar de não ser uma pessoa tímida, ela não se intimida com a presença de estranhos e fala o que quer quando quer, ela não dá intimidade a ninguém, de modo que… Só se aproxima quem tiver coragem, e haja coragem.

Na realidade, no geral ela não é vista com bons olhos por quase ninguém, boatos e rumores diversos a cercam, ofuscando a realidade. Crys é uma das personagens mais fortes e decididas, no entanto isso faz com que ela se obrigue a ser forte o tempo inteiro, reprimindo vários sentimentos importantes. A responsabilidade que ela é obrigada a assumir acaba se tornando a sua única prioridade e cada vez mais durante o desenvolvimento da história ela se vê obrigada a escolher entre ela mesma e o bando. Escolha difícil, e eu mesma não tenho certeza do que ela vai escolher no final…

Camila de A. Sortica

A Lenda de Blackbird

•Junho 4, 2008 • 1 Comentário

Eu escrevi, em um post anterior, que iria falar um pouco à respeito dos personagens da história. Decidi começar pela personagem, não digo principal, mas a mais importante para mim pessoalmente.

O nome dela é Allison Blake, mas geralmente na história ela é chamada apenas de Allie, ou de Blackbird. Ela começa a história com apenas doze anos de idade, perdida na floresta e tendo que cuidar da irmã mais nova, de apenas sete. Nessa situação é que ela acaba se juntando a um grupo de assassinos. Ela recebe então o treinamento e se torna a melhor e mais procurada assassina do bando. Ela é uma garota que raramente passaria despercebida em uma multidão, tem olhos de uma cor azul profunda, cabelos loiros longos e ondulados, um sorriso muito bonito se ela quiser mostrá-lo. Olha sempre as pessoas nos olhos, não tem medo de dar respostas mal educadas se achar que a situação pede. E, o mais evidente nela, tem a preferência por roupas de homem, e sempre, sem exceção, sai carregando um arco.

Allison Blake, nasce na cidade de Bridgeton. E, aos dez anos, assiste enquanto a cidade desaparece em chamas. Esse evento faz com que ela acabe sem lar, sem pais, e com um medo profundo de fogo. Elas sai de lá somente com a irmã mais nova, um arco pequeno de caça, um medalhão de ouro e um arco de guerra muito peculiar, os dois dados a ela pela mãe, e a roupa do corpo.

O motivo pelo qual a Allie é a personagem que eu mais gosto na história é porque muitas das coisas que eu penso e sinto acabam, na história, saindo da boca dela.

Ela não se orgulha do trabalho que faz, mas tem muito orgulho do fato de ser a melhor naquilo que faz, seja o que for. Ela tem um temperamento complicado, uma personalidade forte ao ponto de às vezes ser instável. Ela tem uma memória muito boa para lições de vida, coisas que ela aprende com as pessoas em volta, em geral, ela não esquece.
Apesar de ser uma assassina ela não é uma pessoa fria, mesmo que na maioria das vezes ela queira passar essa impressão. Ela não costuma, por exemplo, matar um alvo a uma distância em que ela possa ver os olhos da pessoa, ao mesmo tempo que ela jamais atiraria em alguém pelas costas. E ficaria em cima de uma árvore em uma posição desconfortável por dias até ter a oportunidade de dar um único tiro certeiro, ser rápida e indolor. Matar não é uma diversão ou um esporte para ela.
Ela também é muito controlada no que diz respeito à emoções, pelo menos no que diz respeito à demontrá-las. Ver a Allie se desfazendo em lágrimas não é uma coisa comum. Ela não tem medo de nada, ou quase nada, além de si mesma. Ela tem medo do fato de que existem coisas dentro dela, e no passado dela, que ela desconhece e por isso não pode controlar.
E, a melhor característica dela, na verdade dela e da maioria dos personagens… Ela não é uma pessoa “boa”. Ela não é incapaz de matar ou ferir alguém só porque pode. Ela inclusive se sente freqüentemente tentada a fazê-lo. Ela tem tanta maldade dentro dela quanto os “vilões” da história. Mas ela escolhe não se conectar com esse lado dela em particular, a não ser que ele seja necessário.
Todos nesse bando em particular, fora do perímetro designado como sendo território deles (na verdade as terras pertencem às cidades em volta), são conhecidos apenas por um codinome, a maioria nunca é vista, e no caso da Allison, a existência dela só comprovada pelas flechas negras que ela deixa nos corpos das vítimas. O codinome da Allie é Blackbird.

O nome Blackbird (em português “Pássaro Negro”), faz referência a um livro tenho que se chama O Arqueiro do autor Bernard Cornwell. Nesse livro o exército inglês está invadindo uma cidade francesa e, nessa cidade, morava uma mulher que todas as noites se vestia de preto subia nos muros da cidade com uma besta e atirava, matando alguns soldados, um tiro, uma morte. Os arqueiros ingleses do livro chamavam de Blackbird, aquela mulher misteriosa que, sozinha, enfrentava o exército inglês com uma besta.
As semelhanças entre essa personagem e a minha terminam no nome. Allison tem, no antebraço esquerdo, uma marca de nascença escura, que tem o formato de um pássaro em vôo. E por esse motivo ela é chamada de Blackbird. Ela se torna uma lenda dentro e fora do bando usando esse nome.

O que eu contei aqui, é apenas uma fração mínima do que é essa personagem. Ela cresce a partir do início da história, descobre várias coisas sobre o próprio passado, e sobre o próprio destino.

Camila de A. Sortica

Pensamentos são como borboletas…

•Junho 3, 2008 • 2 Comentários

Eu ouvi esse pensamento em algum lugar… Não lembro bem aonde: “A vida, é como segurar uma pomba. Se segurar com muita força, você a mata. Se segurar muito de leve, ela sai voando.” Eu acho que você pode aplicar isso a qualquer coisa, qualquer um. Nós somos animais, e não nascemos para viver em uma gaiola. Nós não fomos feitos para pertencer a alguém. Então criamos a noção de que amar é se prender em uma gaiola, então fugimos disso. Só não percebemos que ao fazer isso, criamos uma barreira entre nós mesmos e as outras pessoas, e aí sim, vivemos presos achando que somos livres. Acreditando que isso é que é ser livre. Eu vou além disso. Eu tenho plena consciência de que não conheço a verdadeira liberdade, mas continuo presa dentro da minha muralha, porque é confortável. Eu já abri a porta, olhei lá fora, parece lindo, mas não consigo sair. Talvez eu precise que alguém me pegue pela mão e me puxe para fora. Talvez eu tenha a sorte de um dia conhecer alguém que tenha essa coragem, porque eu não sei se um dia vou ter.

Enfim, quando eu era criança, eu gostava de pegar borboletas. Não com uma rede, mas com a mão. Esperava que elas pousassem e as agarrava pelas asas, então as soltava no ar. No pátio da casa onde minha mãe trabalha, era sempre cheio de borboletas, milhares delas em um bom dia de sol. E eu ficava lá no meio, imóvel, esperando, então quando uma delas pousava eu chegava bem perto e… ela fugia. Várias fugiam até que eu finalmente pegasse uma. Acho que para cada uma que peguei, cem outras me escaparam pelos dedos. Minhas idéias também são assim. Para cada idéia que eu consigo anotar, ou pôr em prática, umas cem me escapam pelos dedos. E nunca voltam. Perdidas para sempre. Mas eu não deixo de voltar ao jardim porque, para cada cem idéias que me escapam pelos dedos, eu consigo pegar uma. E essa uma sempre vale a pena.

Camila de A. Sortica

Uma Visão Geral da Coisa

•Maio 8, 2008 • 2 Comentários

Nos próximos posts eu vou começar a falar um pouco dos meus personagens… Para esse efeito, hoje, eu vou explicar um pouco do ambiente em que eles vivem, e de como é a minha idéia dessa história.

A história que eu estou escrevendo é narrada pelos personagens. A cada capítulo, por um personagem diferente. O formato dela é assim: Título do capítulo depois o nome do personagem, data e localização, depois o texto. Como se a história fosse um recorte de varios diários. Os “capítulos”  não estão em ordem cronológica, por isso a localização e a data em cada um.

Essas pessoas estão vivendo no século XIV, em um reino fictício que é dividido em cinco grandes cidades e alguns vilarejos menores. Cada uma dessas cidades é independente da outra, tem suas regras, suas tradições e o seu líder. Obviamente, alguns bons clichês não podem ser desperdiçados, então uma delas é maior e mais rica do que as outras.
Entre essas cidades existe uma grande e densa floresta, nela também vivem alguns personagens.

Cold River é a maior e mais rica das cidades, Brownstone é a segunda maior e segunda mais rica, óbvio que as duas estão em conflito quase o tempo todo. Dark Haven é a terceira, mas não parece estar nem aí para as outras.

Bridgeton era a segunda maior cidade, criada a partir de escravos fugidos, ou libertos de Cold River, que atravessaram o Rio. Um guerra se iniciou entre as duas cidades e Bridgeton acaba sendo destruída. Valley, a cidade viznha à Bridgeton é a menor de todas.

Os personagens nascem e vivem em diferentes lugares desse reino, e acabam por se encontrar de alguma forma e por algum motivo que nem eles conhecem.  Alguns deles fazem coisas que pessoas normais não conseguiriam, outros não. O objetivo deles a princípio é a penas um: Sobreviver.

Camila de A. Sortica

Escrever Não é Brincar de Deus

•Abril 24, 2008 • 1 Comentário

Algumas pessoas dizem que em uma história (livro, novela, peça de teatro, etc…), Deus é o autor. Mas na verdade a primeira coisa que eu percebi é que você não pode simplesmente fazer qualquer coisa com um personagem.

A partir do momento em que você apresenta esse personagem e ele entra na história ele passa a ser um ser humano como qualquer outro (considerando que ele seja humano), sendo assim ele tem suas crenças, sua personalidade, seus hábitos, vícios, fortes e fracos… Como qualquer outra pessoa. Ou seja, você não pode fazer um personagem dizer ou fazer uma coisa que uma pessoa com esse perfil não diria ou faria. Exemplo: Você tem um personagem e ele é religioso, você não pode fazer com que ele faça ou diga algo que vá contra o que ele acredita, a não ser que isso seja coerente com a história. Se você tem um personagem que é cego, você não pode fazer com que ele descreva a cor de alguma coisa, porque ele não está vendo.A maior dificuldade para mim a princípio foi isso. Hoje não é mais. Já me acostumei com o jeito de cada um dos meus personagens. Conheço cada um deles muito bem, eu preciso.

O mais engraçado é que alguma vezes a história me leva por caminhos que eu preferia não percorrer, mas a verdade é que por mais que eu gostaria de fazer um final feliz para todos na história, isso não vai ser possível. E como a minha história se passa na época medieval, muitos personagens ainda vão morrer, ou pior, até o final. Três deles já morreram, dos mais importantes, não queria que fosse assim. Mas a verdade é que foi necessário para o desenvolvimento da trama, e de vários outros personagens que até então dependiam desses. Agora eles são obrigados a andar com as próprias pernas. É a vida. A vida deles pelo menos.

Camila de A. Sortica

O Começo do Início…

•Abril 23, 2008 • Deixe um comentário

Bom, primeiramente, eu vou me apresentar… Meu nome é Camila de Albuquerque Sortica. Tenho 18 anos, moro em Porto Alegre, ainda não faço faculdade, basicamente passo os meus dias fazendo 3 coisas: Cuidar do meu sobrinho, ouvir música, e escrever.

Sinceramente, nunca gostei muito de escrever à mão. Minha letra não é bonita, fica pior ainda se escrevo muito rápido e, cá entre nós, eu sou meio preguiçosa para escrever mesmo.
Mais do que sou preguiçosa para escrever, sempre fui preguiçosa para copiar matéria de aula… Sempre odiei. Enfim, a partir do primeiro ano do ensino médio, eu comecei a passar o tempo de “copiação” das aulas escrevendo uma história que, no final, não consegui continuar. Me desfiz daquele caderno, e de vários outros depois daquele. Fiz várias histórias diferentes, a uníca coisa que nunca mudava eram os personagens.
Eu era realmente apaixonada por aqueles personagens. Tanto que me agarrei à possibilidade de fazer algo de útil com eles. A personalidade de cada um deles me fascinava de tal forma que eu cheguei realmente a pensar algumas vezes que nunca eu havia visto personagens desse tipo em nenhum livro que já li na vida. Não é arrogância, é verdade. Talvez eu só não tenha lido o suficiente…
De qualquer forma… Essa idéia, ao contrário de todas as outras que já tive, não se desfez. Ela cresceu de tal forma, a tamanhas proporções, que eu realmente não consegui deixá-la de lado, como tantas vezes fiz com tantas outras boas idéias. Resolvi organizar os meus pensamentos soltos e escrever a história até o fim.

Tentei, a príncipio, escrever no computador. Não deu certo.
Eu não tenho tanto tempo assim no computador, e as idéias geralmente me vinham nas piores horas, e como todo o impulso criativo… Desapareciam com o tempo.
Resolvi então, fazer aquilo que trouxe até aqui em primeiro lugar. Comprei um caderno de 200 folhas, algumas canetas, gastei uns oito reais nisso, e comecei a escrever.

O caderno de 200 folhas já está cheio há muito tempo. Estou quase no fim de um outro caderno, usado, que peguei das coisas velhas da minha irmã. Eu nunca fui tão longe antes… E isso é, ao mesmo tempo, excitante e assustador. Acho que no fundo eu tenho medo de perder sejá lá o que for que me levou a tentar fazer isso, isso é assustador. Ao mesmo tempo, todas as vezes que preciso parar de escrever (geralmente quando meu irmão vem me pedir para apagar as luzes, quase à uma hora da manhã), eu sinto aquela curiosidade de saber o que acontece à seguir, como se eu não estivesse escrevendo a história, apenas lendo. E isso me impulsiona, me leva a continuar escrevendo. Por nenhum outro motivo, apenas para que eu mesma possa saber o que acontece.

Eu resolvi escrever nesse blog pelo mesmo motivo: Para que eu possa guardar em palavras esse sentimento. Para que aqui fique registrado o que eu passei com o processo de escrever essa história. Porque uma coisa que não se pode apagar e começar de novo é a vida, e ela passa muito rápido.

Camila de A. Sortica