Fogo e cinzas
Eu sei, eu abandonei esse blog. Mas convenhamos, eu não consigo fazer tudo ao mesmo tempo.
Só estou atualizando porque o livro está quase no fim. Enquanto no caderno eu crio o final, no computador estou digitando o início. De certo forma isso é um pouco confuso, mas, eu não tenho tempo para me sentir confortável.
No ponto em que me encontro eu estou cansada e ansiosa para que isso acabe logo. A minha mente não perde nenhuma oportunidade de me apavorar com as possibilidades do que pode resultar da conclusão desse projeto. Não sei o que me apavora mais…
As pessoas podem não gostar. Isso não me incomoda tanto, porque pelo menos a pressão que estou sentindo desaparece.
Por outro lado eu poderia fazer sucesso, e a idéia de ter tantos críticos literários, acadêmicos, e “entendidos do assunto” analisando todas as minhas palavras me enoja. Eu não tenho a mínima paciência para esse tipo de coisa. Não me preocupa o que eles, ou qualquer um, possa dizer. Me incomoda a possibilidade da mera encheção de saco acabar me desmotivando. Eu não quero parar agora.
Deixando claro que o que está descrito acima é apenas alguns segundos de pensamento… Vamos prosseguir:
O livro está quase no final, como eu já disse. Muito já aconteceu, não vou nem pensar em dar exemplos. Muito personagens se foram, outros vieram. O desfecho ainda é um pouco incerto. Eu conheço os meus personagens, e conheço a minha história. Só não sei se devo esclarecer alguns pontos ou deixá-los em aberto.
As partes que estão no computador, já divididas em capítulos, a grande maioria deles já tem nome inclusive, já estão com um aspecto decente de algo que pode ser publicado. Existem coisas a serem decididas nesse aspecto também. Duas coisas que penso em incluir no livro são um mapa que ficará no início após a introdução. E uma “árvore genealógica” dos personagens que será atualizada de tempos em tempos ao longo da história. Tudo isso, é claro, pensando em facilitar a compreensão do leitor.
Eu tenho tantas idéias e possibilidades na cabeça que, por incrível que pareça, no fim do dia estou tão exausta que durmo feito uma pedra. Talvez a minha insónia fosse tédio, quem diria.
Quando falei na Allison (ver: A Lenda de Blackbird) eu mencionei o incêndio em Bridgeton. Eu, pessoalmente, tenho uma relação profunda de amor e ódio com fogo. Eu acredito que cada fim traz um outro começo, acho que muitas coisas boas surgem das cinzas. Se eu tivesse queimado cada história que escrevi até chegar aqui seriam muitas cinzas. Se você acredita em reencarnação como eu deve saber que a pessoa que você é acaba sendo um resultado de muitos finais diferentes, muitas escolhas erradas.
Eu acredito que tudo se resume em escolhas. O poder de uma escolha, por menor que esta seja, é o maior poder que existe. E todos nós temos. E quase sempre não damos valor a isso. Fogo para mim representa isso. Um final, e outro começo. Minha história começa por ele, talvez termine assim também.
Eu disse talvez.
Camila de A. Sortica


